Fraternidade Cristão-Judaica

Texto redigido por Ir. Alda, que trabalhou no departamento de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso do CELAM, em Buenos Aires, esteve no princípio da Fraternidade em São Paulo e foi presidente da seção cristã da Fraternidade do Rio de Janeiro.

A Fraternidade Cristão-Judaica é uma instituição-movimento, se se pode assim dizer. Nascida na Europa do pós-guerra, ela fez seu caminho com o nome de Amité judeo-Cherétienne, na França, Amistitia na Itália, Amistad na Espanha.

O objetivo principal sempre foi um conhecimento recíproco entre Judaísmo e Cristianismo, por meio de encontros, conferências, simpósios, publicações e um empenho muito grande na luta contra os preconceitos que se transmitem sobretudo através do ensino. Jules Isaac, um célebre professor francês, foi o pioneiro da organização. Impressionado com a atitude do ensino católico em relação aos judeus, ele propôs ao Papa João XXIII, trocar o “ensino do desprezo” pelo “ensino do apreço”. Foi graças a sua intervenção, numa entrevista obtida com o nosso venerado Papa, que ele pode perguntar-lhe:” Posso levar alguma esperança?” A que João XVIII respondeu: ” Você leva muito mais que uma esperança!” De fato, através do Cardeal Bea, foi apresentada ao Concílio Vaticano II a necessidade de um documento sobre o assunto. Daí nasceu a célebre Declaração NOSTRA AETATE, cujos enunciados regem até hoje as atividades dos diferentes grupos de Diálogo Cristão-Judaico.

Duas idéias mestras estão aí contidas: Um patrimônio espiritual comum a cristãos e judeus e uma herança segundo a carne, isto é, o povo cristão que se filia a Jesus Cristo, nascido do povo judeu.

Muito tem caminhado a Fraternidade.

Aqui no Brasil ela se iniciou, em São Paulo, em 1962 e no Rio, em 1964, nos salões do Colégio Nossa Senhora de Sion, e subsiste até hoje.

Com o correr dos anos, a forma de trabalho passou de uma simples conferência mensal tripartite (judeus, protestantes e católicos) a iniciativa que dizem respeito aos acontecimentos principais entre o povo de Israel e a Igreja Católica. Por exemplo, em 1995 e em 2001, a Fraternidade recebeu no Rio a Assembléia Geral da Comissão para o Diálogo Católico-Judaico, da CNBB, que assumiu esse trabalho, formando núcleos em quase todos os estados do Brasil. Destas Assembléias surgem temas e resoluções que são, depois, postos em prática por todos os grupos. Isto não impede, porém, que tenhamos iniciativas particulares em cada lugar. No ano de 1997, com a motivação da vinda do Papa ao Brasil para o Congresso Internacional de Famílias, a Fraternidade realizou um encontro entre casais judeus e cristãos para tratar dos valores familiares que temos em comum ou complementariamente. A participação freqüente de grupos de cristãos nos ofícios religiosos da Sinagoga também tem sido um estímulo à “educação do apreço”.

Muitas pessoas se dedicaram a esse trabalho de compreensão e estima entre os cristãos e judeus. Cito aqui apenas o Pastor Anselmo Chaves, Bispo D. Castro Pinto e Dr. Henrique Lemle, os dois últimos de saudosa memória, que iniciaram a Fraternidade no Rio de Janeiro. As Irmãs de Sion estão presentes em vários países da Europa e América. Como pioneiras no Brasil, merecem menção especial a Ir. Isabel Wilken, em Sâo Paulo, e Ir. Dieudonnée, no Rio. Atualmente, em São Paulo, milita nessa área a Ir. Maria do Carmo, e na Comissão Nacional do Diálogo Católico-Judáico a Ir. Gisa Rollemberg da Fonseca.

Irmã Alda – NDS.