ESPIRITUALIDADE

ESPIRITUALIDADE

“Os diversos sentimentos de Jesus Cristo
estão sempre vivos na Igreja.
Dentre eles, há um do qual sois depositárias,
quero falar do Amor
de Jesus Cristo pelo Povo de Israel”
(Pe. Teodoro)

Um sim sem reserva ao Designo de Deus…

Nossa espiritualidade de irmãs contemplativas de Sion se enraíza na revelação do designo de Deus:
Deus é “fiel ao seu amor pelo povo judeu e às promessas que revelou aos patriarcas e profetas de Israel para toda a humanidade (Const.13), à saber que “os pagãos são admitidos à mesma herança, membros do mesmo Corpo e beneficiários da mesma Promessa, em Jesus Cristo pelo Evangelho” (Ef 3,6).
No Cristo, com efeito, “estamos misteriosamente ligadas ao povo judeu desde as origens até á plenitude final”. (Const 14)

Este designo de Deus, os Padres Ratisbonne e Madre Christine descobriram por caminhos diferentes:
– Para o Pe. Teodoro, o amor de Jesus Cristo por seu povo, manifestado na Escritura
(cf. Const.2).
– Para o Pe. Marie, a Virgem Maria, em quem viu “a expressão do perdão e da misericórdia” atuando no mistério da Redenção;
– Para Madre Christine, a Eucaristia, à luz do mistério da agonia de Jesus.

…conhecido na Escritura lida e meditada…

Nossa relação ao Cristo nos leva à uma adesão amorosa ao desígno de Deus tal como se revela na Sagrada Escritura, e se realiza na história.
A Escritura lida e meditada na Tradição cristã com a ajuda da Tradição judaica, nos introduz progressivamente, no modo de pensar e de agir do próprio Deus.
Esta leitura é particularmente atenta, para descobrir “as relações e a harmonia” que existem entre as diferentes etapas do desígno de Deus. Ela faz questão de considerar o conjunto da Bíblia “como uma árvore onde os ramos, as flores e os frutos não podem viver dissociados da raiz.”

A Palavra nos estabelece num silêncio que escuta.
Nas pegadas de Abraão, que abriu o caminho para a Única Aliança,prosseguimos na obediência da Fé.
Nas obscuridades de nossas vidas guardamos a Palavra como o patriarca Jacó depois do sonho de José: “guardava a Palavra – acontecimento” (Gn37,11) e esperava que ela revelasse toda sua profundidade e seu alcance. Maria também: “guardava fielmente todas essas coisas em seu coração.” (Lc 2,19-51).

A Palavra é o lugar privilegiado de nosso encontro com o povo de Israel: para nós, como para ele, Ela é uma “lâmpada para meus passos tua Palavra, luz em meu caminho.” (Sl 118)

É todo o designo libertador de Deus, que jamais perscrutamos totalmente, que deve plenificar nossos corações e nossas memórias.
Ele orienta nossas vidas, nossos atos, nossa conduta e nos faz cantar com Myriam, a profetisa que, pegando o tamborim cantou:
“Cantai ao Senhor, grande é sua vitória” (Ex 15,21).

…celebrando na ação de graças…

“Deus é Amor” (1 Jo 4,8,16). Nesse versículo de João, o Pe Teodoro reconheceu “o misterio
fundamental que perpassa a Escritura”.
Esse amor, o Cristo, Filho-Servidor,no-lo revela plenamente em Sua Páscoa. Ele, que amou os seus até o fim, nos deus, durante sua última refeição, seu Corpo e seu sangue: “Tomai…comei…fazei isto em memória de mim.”
Nossa participação à celebração eucarística nos engaja “a nos conduzir como Ele se conduziu”
(1 Jo 4,8), ir até o fim do amor.

Assim como na noite da Páscoa é uma noite de vigília (Ex 12,42) o memorial que é a Eucaristia, fonte e ápice de nossa vida, nos chama a velar; “Não me deixe sozinho”, compreendeu Madre Christine.

Desejamos que toda a nossa vida se torne Eucaristia. Unidas ao Cristo em suas vidas, morte e ressurreição, somos solidárias da humanidade em seu clamor pela vida. “Esperando contra toda esperança”, permanecemos no louvor e intercessão.

…encarnado na comunhão e na reconciliação…

“Como o Pai me amou, também eu vos amei, permanecei no meu Amor”. (Jo 15,9)

Alimentadas por este amor do Cristo, somos chamadas a viver em comunidade na partilha dos bens, na escuta mútua, no respeito das diferenças, na acolhida do outro e no dom de si à exemplo da primeira comunidade cristã de Jerusalém: “Tinham um só coração e uma só alma (At 4,32).

Buscamoa viver:
– uma vida simples, no silêncio para atrair o Espírito (M. Christine).
– uma vida de recolhimento “onde arde a lâmpada da oração” (Pe Teodoro).
– Uma vida de conversão, na liberdade e na alegria que dá o Espírito.

A experiência quotidiana de nossa fragilidade, de nossa fraqueza, nos coloca num caminho de pobreza, onde Deus age. Ela nos convida à paciência conosco mesmo e com os outros, ao perdão e à reconciliação, sinais do Reino de Deus já presente mas não plenamente realizado.

… como Maria, Ícone profético de Israel e da Igreja.

Maria nos conduz neste caminho bíblico: Ela se reconheceu criatura perante seu Criador, recebendo-se Dele na bênção.
Filha de Sion por excelência, ela viveu no centro dos caminhos incompreensíveis de Deus e nele se engaja na obscuridade da fé.
Na glória, Maria é o ícone profético de Israel e da Igreja, chegados a seu termo.
Lembrando-nos de sua intervenção no dia 20 de janeiro de 1842, temos a “confiança inabalável”
(Pe. Marie) que Maria intercede por todos os povos da terra, para que eles encontrem, na justiça, no perdão e na paz a força de se amarem como membros da mesma família.

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Vivemos em uma época onde existem correntes de pensamento que tendem a negar toda transcendência, toda diferença e a exaltar o individualismo, questionando que o mundo tenha um sentido. Neste mundo, nossa espiritualidade de irmãs de Sion nos leva a ser mulheres de esperança e de reconciliação, alegres mensageiras da fidelidade de Deus que “se lembra de seu Amor”
(Luc 1,5).